jusbrasil.com.br
21 de Setembro de 2019

“Chuta que é macumba”!

Acredito que a maioria dos brasileiros já ouviu a frase, título deste artigo: “chuta que é macumba”!

Grande parcela dos que a proferem não se dão conta do quão preconceituosos e intolerantes estão sendo com as religiões de matizes africanas, Candomblé e Umbanda, praticantes do congá (nome real da “macumba).

Um pouco acerca dessa cerimônia no Candomblé e Umbanda:

Despacho na encruzilhada

Nem sempre oferenda é indício de magia negra (Fonte: vide mundo estranho. Abril )

Os despachos nos cruzamentos ganharam fama de "macumba" porque são uma das expressões mais visíveis dessas religiões fora dos templos. Mas, na verdade, eles são oferendas para o orixá Exu, geralmente pedindo proteção. São colocados em encruzilhadas porque esses lugares representam a passagem entre dois mundos. Existem, sim, despachos feitos para fazer mal aos outros (mais no candomblé, onde não existe distinção entre o bem e o mal, diferentemente da umbanda), mas nenhuma das religiões incentiva essa prática.

Quem tiver mais interesse sobre o assunto click no link mundoestranho. Abril. Com

Retornando ao tema em questão citaremos também um trecho da lei que fala sobre os crimes de preconceito e intolerância (Lei 9459/97 que alterou o artigo 1º e 20 da Lei 7716/89), leia abaixo:

Art. 1º Os arts. e 20 da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 1º: Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional."

"Art. 20: Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

Manifestações preconceituosas são comuns no mundo todo; quando se trata de religião é “normal” ver e ouvir umas discriminando as outras. Seja porque o deus de uma é distinto do da outra ou porque uma adora imagens e outra não e até por, simplesmente, se vestirem de forma incomum as demais.

https://www.youtube.com/embed/Z64hqO9ScjM

Isso se torna motivo de chacota e zombaria dentro e fora das “reuniões de fé”, não raro param por aí, muitas vezes chegam a cometer ataques gratuitos de violência, como foi o caso da menina, praticante do candomblé, atacada a pedradas e também da morte de uma ialorixá nonagenária em Camaçari, município industrial localizado a 40 quilômetros de Salvador.

“Conhecida como Mãe Dede de Iansã, Mildreles Dias Ferreira faleceu na madrugada do dia 1º de junho deste ano, após sofrer um infarto fulminante que teria como principal causa a perseguição sofrida durante todo o ano de 2014 até sua morte. Foi desde que uma igreja evangélica se instalou em frente ao terreiro Oyá Denã que as ofensas não mais pararam, diz Mary Antônia Monteiro, filha adotiva da religiosa, ao Delegado responsável. Ela dizia que em 45 anos de instalação do terreiro nunca imaginou seria tão perseguida e humilhada como nos últimos tempos – com isso fragilizou-se, adoeceu e acabou falecendo”. (fonte: oglobo. Globo. Com)

Sempre ouvimos a frase que diz: “o meu direito começa quando termina o seu”; o que não creio ser uma verdade absoluta pois, direitos são direitos e todos possuímos tanto quanto obrigações. Quando o ser humano respeitar o próximo, as diferenças, os gostos de cada um o mundo se transformará num lugar melhor de se viver.

Não creio que a minha verdade deva ser absoluta e mereça ou tenha que ser imposta aos outros. Cada pessoa é livre para acreditar no que quiser, ou não acreditar em nada!

A liberdade ainda existe por aqui, ou estou enganada? Isso também vale para liberdade de expressão. Todos nós a possuímos, de maneira que podemos expressar nossos gostos e forma de vida; além de podermos expressar ao mundo acerca daquilo que acreditamos – respeitando o espaço alheio e o direito de vizinhança; afinal ninguém é obrigado a ter que ouvir cantorias e manifestações religiosas que não queira só por estar “lado a lado” de um templo – o mesmo vale para a localização de uma discoteca. Se não pode possuir vedação acústica no ambiente, procure um local afastado, longe da “civilização”; e por fim e não menos importante se você for um cidadão que adora ouvir música ou culto religioso em “alto e bom tom” nos finais de semana, lembre-se que nem todos “curtem” a tua “vibe”, o que é bom e bonito para você pode ser uma desgraça ao ouvido alheio.

Um pouco de civilidade (em todos os sentidos) não faz mal a ninguém!

Autoria: Elane F. De Souza OAB-CE 27.340-B (ao citar, replicar ou reproduzir, cite a fonte)

Video You Tube por: Vera Linda

7 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Parabéns Dra. Elane ótimo artigo.

Isto acontece pelo fanatismo religioso e pelo radicalismo de doutrinas religiosas, se estas pessoas que criticam a religião alheia tivessem o minimo de conhecimento sobre história das religiões de matrizes africanas, jamais teriam este tipo de preconceito.

Então vejamos:

Orixás não são Deuses:
Na tradicional religião yorùbá e nas afrodescendentes, o Ser Supremo é Olódùmarè, que vive numa dimensão paralela à nossa, conhecida como Òrun. Por isso, também aclamado como Olorun, Senhor do Òrun. É o criador do Òrun e do Àiyé, o universo conhecido ou ainda desconhecido por nós. É o Ser Superior e Criador dos orixás (inclusive Ogum) que são ancestrais divinizados africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos. Estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, animais oferecidos, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus Orixás vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente. e do Homem.
Olódúmaré é o ser supremo que estabeleceu a existência e o Universo, ou seja, o mesmo Deus dos Católicos, Evangélicos e Muçulmanos.

Na linguagem tupi-guarani o mesmo Deus é chamado de “Nhanderuvuçú”. que significa Deus supremo o criador supremo.

Que seria a mesma fonte de energia que originou o bin gang, pois na teoria cientifica tudo se originou por uma explosão solar cósmica, a matéria se resfriou e os microrganismos começaram a evoluir até formar o mundo atual em que vivemos.

Forte abraço amiga Elane.

Muita paz e amor! continuar lendo

Ola bom dia meu caro amigo Sérgio Oliveira
Como sempre um gentlemenn, um cavalheiro (obrigada pela elogio) pela participação e comentário.
Sempre acrescentando ao artigo novas, importantíssimas e sábias informações.
Siga assim e terás em mim uma fã, além de amiga que já confesso ser!
Abraço, sucesso e muita paz para você também
Até breve. continuar lendo

Caro Sérgio Oliveira de Souza,

Perfeita explicação sobre os deuses africanos e o sincretismo!

Apenas não posso deixar de corrigir a última parte, para que a riqueza de informações do teu texto se complete.
No big-bang não há, propriamente uma "fonte de energia que o originou". E não foi uma "explosão" (ainda que o termo possa ser usado o sentido figurativo).
Até onde sabemos, toda a energia existente já estava lá. Na verdade muito mais energia que a contida no universo, porque a maior parte foi cancelada pelas interações de matéria e anti-matéria.
O que quero enfatizar é que não existe um "antes" do big-bang. Não há nexo causal. Não existe "força anterior" que o tenha gerado.
E não foi uma explosão no sentido concreto. Foi mais uma expansão. Porém, qualquer aplicação de conceitos "tridimensionais" não corresponderão a como, de fato, se descreve fisicamente a singularidade do big-bang.
Observe que naquele instante ainda não havia espaço, nem tempo. Ambos foram gerados pela própria expansão do big-bang. Não existia "onde" nem "quando", muito menos "antes".

Espero, sinceramente, estar trazendo contribuição para esclarecer e não para confundir.

Forte abraço. continuar lendo

Amigo Jonh Doe

Deixo claro aqui que sou religioso, em nosso dialogo no Artigo "Por que Deus Crio o Homem" somente apliquei a técnica da empatia para entender existência da vida a partir das leis físicas e para tentar entender a ideologia Atéia.

Essa energia que falas na minha humilde opinião religiosa é Deus.

Sem querer ofender, não vou entrar no mérito sobre alma, espirito e divindades com vossa senhoria por alguns motivos óbvios:

1 - Já que não acreditas e nem consegues imaginar a menor possibilidade da existência de Deus, não cabe a mim convence-lo de que ele exista.

2- Deus se sente e não se explica.

3- O mundo espiritual e religioso é muito mais fascinante do que imaginas, mas observei que vossa senhoria tem característica dominante de personalidade Sensorial Analítica, apesar de ter demonstrado que és um Expert na teoria da ciência, não tens capacidade intelectual de entende as questões espirituais e nunca conseguirá admitir qualquer possibilidade por menor que seja da existência divina, seus argumentos já lhe bastam para esclarecer tudo que existe.

Entenda, minha intenção não é ofender, somente estou dizendo que temos características de personalidade diferentes, pois a minha é Intuitiva Sensitiva, tenho um perfil mais imaginativo. Em vez de obter a informação através de fatos concretos, prefiro observar e tirar as conclusões finais a partir dos meus próprios pensamentos e crenças.

Continuo respeitando sua opinião, mas mantenho a minha.

Obrigado pela sua sabia e muito bem elabora explicação sobre a criação.

Forte abraço. continuar lendo

Caro amigo Sérgio Oliveira de Souza.

Jamais me sentirei ofendido pelas tuas palavras.
Não importa o quando discordes do que digo, o quanto veemente sejas ao rebater ou até mesmo qualquer análise ou julgamento que faça sobre mim ou meu comportamento.
Não me ofenderei, nunca, por um motivo: sei que essa nunca será a sua intenção.

Não vou me estender novamente no assunto, porque acredito que já travamos uma bela (e longa) conversa sobre o tema.
Gosto muito desse assunto, e poderia continuar se assim você quisesse, mas não desejo ser cansativo, e presumo que estaria sendo.

Vou apenas esclarecer um ponto muito importante, a meu respeito, minha forma de pensar, que abordaste nessa sua mensagem.
Eu não tenho problema algum em imaginar a possibilidade da existência de deus (ou deuses).
Ao contrário, tenho a mente totalmente aberta para qualquer possibilidade.
O que eu faço a esse respeito (e tudo mais), é não partir de uma resposta (que me agrade) para então buscar os meios de corroborar aquela ideia. Ao contrário.
Prefiro o processo que considero muito mais salutar, honesto e coerente, de partir das evidências, analisá-las e então aceitar a resposta que essas evidências me mostrarem, quer eu goste da resposta ou não.
Assim, ao analisar a proposição da existência de um deus, de espírito, reencarnação, céu e inferno, etc, concluí, pelas evidências que a natureza me apresenta (e também pela falta delas), que tais proposições não se sustentam.
Mais além, estudando psicologia e neurologia, entendi de onde vem esse impulso natural de "sentir" a existência de algo percebido como "divino". E, assim, tudo faz sentido.

Amigo, sem nenhuma chacota ou cinismo, mas sim, com a maior sinceridade: desejo que o teu deus esteja sempre contigo e continue te iluminando.

Forte abraço. continuar lendo

Ola a todos!
Ao passar por aqui, não pude ir em bora sem dar os parabéns a todos.
Não pelo tema Religião, que me interessa muito, mas por ver duas opiniões muito diferente. O importante para mim é justamente isto que presenciei aqui, opiniões divergentes, acrescenta mais do que em um lugar que todos falam a mesma coisa.
E isto vai de encontro ao meu pensamento e a que me proponho.
Acho mesmo, que todos cometemos um erro gravíssimo - Quando se diz que religião não se discute - pois é no dialogo sincero que se engrandece e podemos tirar conclusões.
Outro erro gravíssimo que considero é a forma que tratamos a liberdade religiosa,
posso entrar em vários lugares e sempre escuto a mesma coisa e nunca saímos do lugar.
Sou da opinião que as causadoras dos conflitos religiosos - No caso as Lideranças religiosas - deveriam debater junto com a comunidade as causas do conflito.
E até obrigadas por Lei Federal - Merecemos isto!
Costumo dizer sempre, não se trata de ferir a liberdade religiosa e sim a forma que a tratamos.
Com dialogo como este que presenciei aqui, vai-se longe e a dignidade humana agradece.
As diferenças são muita - mas há se elas não existissem - não estaríamos aqui debatendo, como existe a compreensão nos diz:
fação com dignidade - assim deve ser por parte das Liderança.
Obrigado! continuar lendo