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18 de Agosto de 2019

Colega Advogado, você sabe o que é um “Laçador”?

Artigo republicado do perfil Elane Souza, como forma de denúncia!

Que no Brasil não está fácil Advogar todo mundo já sabe, no entanto, há profissionais que no afã de captar mais e mais clientes exageram! Para quem ainda não conhece irei apresentá-los a uma figura bastante conhecida no Ceará, pelo menos na região metropolitana que é onde atuei por um curto período.

Em meados de 2013 associei-me ao escritório de um colega cearense, na região metropolitana de Fortaleza, especificamente na cidade de Caucaia. Tratava se de um edifício bem centralizado, todavia nada esplendoroso, apenas um edifício qualquer, que se dedicava, em sua forma quase exclusiva, alugar salas para Advogados. Haviam ali muitas, em cada uma delas 2 ou 3 Advogados na espectativa por clientes.

Ocorre que, com a concorrência tão acirrada, só nunca chegaram às vias de fato porque, cada um ali, lutava com as armas que tinha. Infelizmente as armas nem era o “conhecimento” adquirido, muito menos a experiência de cada um. Descobriram algo novo! O cearence é um povo, além de simpático e engraçado, é também muito criativo. Acredito que foram eles os criadores dessa “figurinha” que agora circula pelos Fóruns, Tribunais, Varas do Trabalho e até Delegacias – o bom nisso tudo é que deixamos de lado o Profissional “Advogado porta de Cadeia”, para darmos lugar ao “Laçador” (em outras palavras, atravessadores).

Quem são os “Laçadores” e como agem?

São pessoas, na maioria quase absoluta das vezes, homens, que procuram os escritórios e se oferecem para ficar na porta dos órgãos judiciários e nas Delegacias de Polícia com o intuito de “captar” clientes em troca de uma porcentagem do serviço que será prestado ao “captado”. Assim procediam os que agiam em Caucaia! (Digo agiam porque não trabalho mais no Ceará – logo, não sei se a prática segue existindo).

Esses atravessadores ganham comissão pelo agenciamento de causas e ‘recrutam’ clientes em torno dos Fóruns trabalhistas para que eles entrem com ações contra empresas e patrões. Tais problemas trabalhistas muitas vezes, nem existem, mas os “laçadores” acabam por convencer a pessoa abordada a abrir um processo, pois os escritórios cobram dos clientes para abrir tais ações.

Como dito anteriormente isso não se passa apenas nas varas trabalhistas, mas sim em todos os órgãos judiciários ou não - onde houver pessoas interessadas em contratar Advogado lá estarão eles (fazendo "plantão" e, vergonhosamente, abordando pessoas).

A OAB/CE fez uma ferrenha campanha contra esse tipo ilegal de “captação de clientela” no início de outubro de 2014 que ficou conhecida como: “Diga não ao laçador”!

De acordo com o vice-presidente em exercício na época, Jardson Cruz, A OAB-CE vai realizar essa campanha para os advogados que militam na área trabalhista e previdenciária e visa punir essas pessoas que fazem esse trabalho de intermediação. “Vamos alastrar essa campanha por todo o Estado do Ceará. Nas agências do INSS, no Interior e na Capital. É uma campanha que necessita da compreensão em conjunto de todos os colegas que militam nessa área” ressalta.

Na época, foi também ouvido o superintendente substituto da SRTE, Wellington Silva, “a campanha é fundamental para proteger o trabalhador, pois são abordados no meio da rua, são cobrados valores acima do permitido e muitas vezes acabam perdendo suas causas por conta das fraudes”. É uma concorrência desleal” disse.

Apesar do vice-presidente da OAB/CE falar apenas nas áreas previdenciária e trabalhista, os “laçadores” de Caucaia-CE agiam em todos os ramos do direito que possa levá-los ao lucro – inclusive “nas portas de cadeia” – digo, delegacias. Nesse edifício onde trabalhei por algum tempo existiam pessoas de “plantão” na porta esperando que alguém chegasse para abordá-los e convencê-los a dirigir-se ao escritório onde lhes pagavam comissão. Quem não tinha um “laçador” como “funcionário” acabava por perder muitos clientes. O meu caso!

A OAB-CE disponibilizou, na época, um serviço de denúncias por meio do 0800 724 2116. e solicitou ajuda da Polícia Federal para investigar e combater essa prática ilegal!

A crise da Advocacia Brasileira

A advocacia sempre fora uma profissão muito valorizada, desde os tempos de Grécia e Roma. O advogado, outrora, na sociedade, era considerado um profissional que emprestava os seus conhecimentos na busca da justiça, em oposição à tirania e opressão. Era leal, honrado e digno. Aquele que optava por tal atividade não o fazia por dinheiro, mas na ânsia de realizar a justiça.

Pondera Clito Fornaciari Júnior (2008, p. 37):

A advocacia nasceu da necessidade moral de defender os fracos e os justos. Era exercida por homens livres e bons, que não se preocupavam com a remuneração, mas emprestavam seu trabalho e sua inteligência para servir à verdade, ao Direito e à Justiça. (...) Esse alicerce, que é de muitos séculos, marcou a profissão, associando-a à nobreza de caráter. (...) Implicou, outrossim, a criação de sólidas regras éticas, que se fundaram sempre na moral e na lei, mas também na tradição, que se arraigou definitivamente no Advogado.

O advogado, de maneira ética e proba, prevenia e buscava a solução de conflitos de interesses mediante a aplicação da lei.

Todavia, a profissão hoje se encontra assolada por uma crise sem precedentes e, conforme mencionado na edição comemorativa da AASP (Associação dos Advogados de São Paulo), embora o passado seja de glórias, o presente é dramático e o futuro é incerto.

Se antes o advogado pertencia a uma elite profissional altamente qualificada, nos dias atuais, grande parte sobrevive como advogado empregado ou proletariado, auferindo salários baixíssimos (em média, de 02 a 03 salários mínimos mensais) e abrindo mão de grande parte de sua liberdade. Os jovens bacharéis (em sua maioria influenciada pelos próprios educadores) pensam apenas em concurso e já possuem um ideal de que a carreira pública, no Ministério Público ou Magistratura, é muito mais promissora.

E várias são as razões que poderão ser destacadas para tal declínio de prestígio: a proliferação desordenada das faculdades de direito em nosso país, a formação de profissionais desqualificados diante da má qualidade do ensino jurídico, a saturação do mercado de trabalho, a perda da ética e dos valores morais por parte dos profissionais, a diminuição do amor à profissão na busca pelo status econômico, entre outros.

Segundo o Portal Exame da Ordem, em 2018 teremos, no Brasil, 1 milhão de Advogados! Ou vencemos agora, nessa admirável e nobre Profissão, ou seremos – literalmente – engolidos nesse futuro que já bate à porta!


Fontes: OAB-CE e OAB-SP

Foto crédito: OABCE. ORG

Autoria/Comentários: Elane F. De Souza OAB-CE 27.340-B

17 Comentários

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Muito bom.
Temos que limpar a advocacia.
Temos que tornar a advocacia mais ética, mais justa, mais próxima dos princípios da própria profissão.
Inclusive, tb escrevi algo do tipo:
http://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/216459562/os-problemas-da-advocacia continuar lendo

Olá Pedro, boa tarde..., obrigada pela mensagem....,e obrigada também pela indicação do teu artigo, vou ler....,
Esse meu aqui também é um pouco velho, tem 4 meses só repaginei e republiquei. rsrsr
Abraço e até mais continuar lendo

Nada mais oportuno, levando-se em consideração a proximidade do dia do advogado. continuar lendo

Por incrível que pareça nas vezes que fui à uma delegacia de polícia eu nunca ví esses agenciadores ou laçadores ou como a maioria diz "advogado de porta de cadeia" (termo um tanto pejoratvo que eu abomino e repreendo) nas portas desses estabelecimentos, onde eu mais vejo a presença destas pessoas praticamente em recorde são nas portas de agências do INSS e do MTE, perguntando se a pessoa recebeu todos os valores devidos e entregando um panfleto. Infelizmente isso com certeza deve ocorrer em todo o nosso país, algo um tanto desleal e antiético. A sociedade deve denunciar tais práticas e a OAB apurar e punir. continuar lendo

aqui em São Paulo, chamamos de ADVOGADO DE PORTA DE CADEIA aquele elemento que antes do preso chegar ao Distrito Policial, ele já está no local esperando a viatura com o seu cliente dentro.
É um advogado contratado pelo bandido, e que sempre o defende. continuar lendo

Pois é colega José, um nome um tanto pejorativo, vez de que o advogado (pelo menos os criminalistas mais éticos) estão defendendo o direito, ou seja, ampla defesa e contraditório, é claro que existem muitos profissionais mancham a honrada imagem do advogado diante da sociedade. O advogado criminalista principalmente é um dos mais mal visto aos olhos de grande parte da sociedade, porém esses mesmo indivíduos que assim pensam, pensaram assim até o momento em que tiver problemas ou um mal entendido com a justiça, momento em que irão precisar e pediram ajuda ao advogado criminalista, pois sabemos que não é só bandidos que tem problemas com a justiça criminal.
Reiterando existe sim advogado que pelo o mal procedimento que agem merecem o título "porta de cadeia" e desonram a classe , sendo esses aqueles que topam tudo por dinheiro, e isso não é uma exclusividade do direito penal conforme já abordamos. Pra finalizar caro José aqui em São Paulo ou em qualquer unidade da federação, haverá maus advogados, e isso ocorre em qualquer ramo do direito e em qualquer profissão. Sucesso! continuar lendo

Essas figuras tem em todas as cidades e só mudam de apelido, porém são os mesmos -> captadores. continuar lendo

A OAB-SP proíbe este tipo oferta de serviço, mas não controla.
Quem duvida, basta comparecer à entrada da Estação metro-Anhangabaú (R.Xavier de Toledo) e verá um monte de elementos gritando:
"Advogado Trabalhista ?"
"Cálculos trabalhistas"
"Ações trabalhistas"
Como fica perto do Ministério do Trabalho, abordam os "fregueses" e levam para os escritórios.
E Cadê a OAB.....? continuar lendo

Boa tarde José Pedro
Obrigada pelo comentário..., realmente isso existe em toda cidade...é repugnante e humilhante para a classe e até para quem faz...tenho até dó!
Infelizmente as seccionais nada fazem...., a minha que é do Ceará, todavia vivo em Recife de momento...., é bastante atuante, mas ainda não conseguiu extinguí-los das portas dos órgão judiciários.
Valeu pelo comentário
Sucesso
Att. Elane continuar lendo