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18 de Novembro de 2017

“Psicofobia” você sabe o que é? Ou nem sabia que existe?

Psicofobia voc sabe o que Ou nem sabia que existe

Existe sim e consiste em se ter preconceito contra o doente mental e os portadores de transtornos mentais (como a Depressão, por exemplo) e até contra o Profissional da Psiquiatria.

Há uns dois anos ou mais a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) lançou a Campanha “A Sociedade Contra o Preconceito” juntamente com outras entidades, envolvendo todos os tipos preconceito seja ele racial, religioso ou de gênero. Dentro desta campanha está o PLS 236/2012 que torna a Psicofobia (atitudes preconceituosas e discriminatórias contra os deficientes e os portadores transtornos mentais.) um crime.

Histórico da Campanha

Na época foram convidados o humorista Chico Anysio, o locutor esportivo Luciano do Vale, a atriz Cassia Kiss e o jornalista e escritor Ruy Castro.

Chico Anysio afirmou que sofria (faleceu sofrendo) de depressão e disse que, se não fosse o tratamento psiquiátrico, não teria feito nem 20% do que fez em sua vida. Na época disse ainda, que estava em tratamento há 24 anos com um psiquiatra. Afirmou que o tratamento para o seu caso foi vital e que o preconceito contra o doente mental e o psiquiatra é uma burrice: “Ir ao psiquiatra não significa que ele é doido. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. A depressão é uma coisa, a loucura é outra, com tratamentos diferentes”.

O locutor esportivo Luciano do Valle (também falecido, este em abril de 2014) defendeu o trabalho do psiquiatra e o fim do preconceito contra o doente mental. Vítima da bipolaridade, depressão e síndrome do pânico, Luciano confidenciou que quase abandonou a profissão na África do Sul, na véspera da Copa do Mundo de Futebol de 2010, por não se sentir em condições de trabalhar. “Eu perdi para a depressão por uns três a zero, e perdi com gente que eu amava muito. E vou ser sincero para vocês, hoje, eu só estou mais ou menos equilibrado graças à minha psiquiatra”, disse ele, na ocasião.

A atriz Cássia Kiss relatou sua experiência pessoal com a bipolaridade e a bulimia. Uma das coisas que mais incomodam a atriz no transtorno mental é a incessante busca pela perfeição. “Eu reconheço que eu não sou boa atriz, eu sou excelente atriz. Mas não há nenhum privilégio nisso. Isso é resultado do transtorno, da busca pela perfeição. É onde a doença te leva e é uma linha que quase cai na loucura”, relatou Cássia. A atriz também falou sobre o histórico de problemas familiares que enfrenta – a mãe e os irmãos da atriz também possuem doenças mentais, assim como a avó possuía.

O jornalista e escritor Ruy Castro, vencedor de quatro prêmios Jabuti, entre eles, pelos livros “Estrela Solitária”, sobre a vida do jogador Mané Garrincha, e “Carmem”, biografia de Carmem Miranda. Além de contar histórias da vida de Mané Garrincha e Carmem Miranda, falou sobre a sua experiência pessoal com o alcoolismo. Sem beber há 23 anos na época, o jornalista afirmou que não teve motivos especiais que o levaram ao vício e negou que tivesse sido influenciado por amigos. A experiência pessoal despertou o interesse pela vida de pessoas que passaram pelo mesmo problema.

Essas são apenas algumas pessoas conhecidas que sofrem ou sofreram com transtornos mentais e tiveram que se valer de um Psiquiatra para controlar os sintomas. Mas existem milhares de desconhecidos pelo mundo todo sofrendo desses males e de outros que afetam a psiquê da pessoa. Como dizem os especialistas, a Depressão “é o mal do século”!

Um dos fatores pelos quais decidi discorrer sobre o assunto foi a crítica de um Jornalista de Santa Catarina, de nome Luiz Carlos Prates (já falei dele num artigo aqui e de suas polêmicas). A última que vi e ouvi, mas não a última que ele falou, foi a do Depressivo Co-Piloto Andreas Lubitz do Airbus A320 da Germanwings,. Segundo ele todo depressivo é um frustrado, covarde, não é digno de pena. Com esse argumento ele colocou todos os depressivos num mesmo “balaio” do Andreas Lubitz, equivocadamente. Ao contrário do que ele pensa, os psiquiatras esclarecem que o depressivo pode ser mais vítima dos outros e de si mesmo do que se transformar num “assassino sanguinário”, como foi Andreas. Ele foi uma excepção, e sua atitude não foi devido à depressão, foi devido a sua moral, sua ética, sua índole!

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Uma pessoa com alto grau de depressão não cosegue sequer acabar com a própria vida por falta de ânimo, por falta de forças, ele está fisicamente prostrado, não gerando perigo nenhum a outrem – no máximo a si mesmo quando recuperar um pouco das forças!

Como pode esse Senhor, sem formação na área psiquiátrica, falar tamanha besteira? A vida de um depressivo não é fácil, é um doente que necessita de tratamento diário, não há necessidade alguma ouvir algo desse tipo, talvez por isso tenha sido demitido da emissora nos dias seguintes a desses comenários asquerosos.

E a doença mental propriamente dita, o que dizer sobre ela?

Doença mental é um termo que abarca tudo: a clínica, as ciências e a sociedade.

O termo doença mental tem, infelizmente, ainda um sentido pejorativo, por ignorância e sentimento de ameaça e vulnerabilidade das pessoas. A imagem e conceito de doença são ainda associados a pessoas violentas, agressivas, incapazes, “tolinhas” ou que só cometem loucuras. Nada de mais errado. A doença mental é, atualmente, extremamente comum.

Há ainda um grande desconhecimento da evolução do diagnóstico e tratamento das doenças mentais entre os profissionais de saúde (não ligados à saúde mental) e na sociedade, o que contribui para a estigmatização da doença mental.

Verifica que, por motivo de doença mental, a pessoa pode necessitar de baixa ou estar incapaz de exercer as suas tarefas diárias e ser mal vista pela sociedade.

Ou seja, além de estar doente, tem ainda de enfrentar ou refugiar-se da atitude de ignorância dos outros.

A doença mental é hoje definida e estudada por profissionais com métodos e rigor científicos. O desenvolvimento de critérios de diagnóstico de doença mental dos manuais da Associação Americana de Psiquiatria ou da Organização Mundial de Saúde vieram definir e orientar, do ponto de vista clínico, uma uniformidade de conceitos sobre o que é ou não a doença mental.

Os psiquiatras e outros profissionais de saúde mental têm hoje critérios de diagnóstico, métodos de intervenção e terapêuticas fundamentados em estudos científicos.

A procura de um serviço de saúde mental não significa necessariamente que se está doente mentalmente segundo os critérios clínicos, mas tão-somente pode significar que se está em sofrimento emocional, com dificuldades relacionais ou preocupado com aspectos profissionais e pessoais, por exemplo.

As pessoas não adoecem porque querem ou escolheram ser doentes. Também não melhoram apenas com a vontade e desejo pessoal. A pessoa com doença mental necessita de tratamento como qualquer outra pessoa que sofra de diabetes, câncer ou hipertensão arterial. A doença mental deve ser encarada como algo que funciona mal no nosso cérebro e que provoca a doença, tal como noutras doenças orgânicas ou como resposta a circunstâncias anormais e, neste caso, constitui uma disfunção psicológica. Em qualquer dos casos, em que uma ou mais variáveis (disfunção cerebral ou circunstâncias anormais) estão presentes temos uma doença ou risco de a ter. Caso as duas variáveis estejam bem teremos provavelmente um estado de saúde mental. Mas nem sempre. As causas das doenças mentais são múltiplas, diferindo de doente para doente. Um dos aspectos característicos da doença mental é a heterogeneidade dos quadros clínicos. Podemos ter uma depressão em pessoas muito diferentes, daí a grande complexidade das apresentações clínicas e dos problemas associados a cada pessoa. As pessoas sofrem de doença mental e não são “a doença mental”. Por isso, devemos dizer que a pessoa tem uma depressão e está deprimida e não que é um deprimido.

Atendendo a esta complexidade, os diagnósticos devem ser feitos por profissionais com formação clínica apropriada, experiência e capacidade de avaliação clínica.

Outro aspecto muito relevante é o facto de, para o mesmo diagnóstico, termos pessoas com manutenção da capacidade funcional, outras com incapacidade funcional parcial ou total e, dentro da mesma pessoa e diagnóstico, podemos ter alterações da capacidade funcional conforme o momento da avaliação.

Perturbação mental é o termo que tem sido usado nos manuais de classificação das doenças mentais por se basearem em descrições físicas e critérios de diagnóstico.

Não há uma definição completa da doença mental, isto é, que englobe todas as situações de doença mental.

Por isso, cientificamente e clinicamente temos de nos orientar por critérios de diagnóstico que vão sendo, como em todas as áreas do conhecimento, revistos e atualizados e têm contribuído para uma maior objetividade no diagnóstico e tratamento da doença mental.

Fontes: http://www.abp.org.br/portal/a-sociedade-contraopreconceito-psicofobiaeum-crime/

http://www.clinicadesaudementaldoporto.pt/002.aspx?dqa=0:0:0:58:0:0:-1:0:0&ct=57

Autoria/Comentários: Elane Souza OAB-CE 27.340-B

Foto/Créditos: abp. Org. Br

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