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19 de Agosto de 2019

Milícias: Crime organizado, alías, muito bem “organizado” por sinal

Essa vida tem um preço: R$ 100 mil, se vivo! A Igreja Católica fazendo o papel que deveria ser do governo

Certo dia, “navegando” na internet, li uma frase de efeito que dizia assim: A luta contra a criminalidade organizada é muito difícil, porque a criminalidade é organizada, mas nós não” (por A. Amurri). Ao ler, me dei conta de que ela podia, perfeitamente, ser inserida a essa reportagem, que mais uma vez, ouço e transcrevo aqui, agora mais atualizada.

Milcias Crime organizado alas muito bem organizado por sinal

Reportagem G1. RJ em 07/04/2015 20h04. Um homem que foi beneficiado pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, e denunciou as ameaças e assassinatos comandados por milicianos em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, foge há 1 ano e 3 meses pelo país. Expulso da própria casa, ele denunciou milicianos para a polícia. Desde então é perseguido e ameaçado de morte. Na reportagem especial do RJTV desta terça-feira (7), o Arquivo RJ mostra a rotina de medo dessa família que ainda está longe de uma solução.

A família foi sorteada pela Prefeitura para financiar o imóvel. Em 2010, tinha perdido tudo nas chuvas que castigaram o Rio. Mas o que era para ser um recomeço se tornou um pesadelo.

"No dia 13 eles já estavam lá me cadastrando, dizendo quanto eu tinha que pagar mensalmente e tal”, lembrou o homem, que prefere não se identificar. “No primeiro mês a taxa chegou a R$ 240, depois de R$ 240 passou para R$ 300, R$ 350. Até chegar a última: R$ 560. A taxa é de segurança. Para você não ser assaltado, não ser morto, a sua família não ser estuprada", disse. O Fantástico denunciou a perseguição sofrida por essa família. Quando foi expulso de casa, o morador procurou a polícia e entregou os milicianos. Baseada nas informações passadas por ele, a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado desencadeou a operação tentáculos, que levou para a cadeia 21 homens da maior milícia do Rio de Janeiro.

Milícia ainda atua

Um ano e três meses depois da expulsão da família, a milícia continua atuando em Campo Grande e a vida do homem que botou na cadeia 21 milicianos tem um preço: R$ 100 mil reais. “O dinheiro é para quem chegar comigo lá vivo. Se me matar e levar assim foto, eles dão R$ 5 mil, R$ 10 mil”, revelou. A família chegou a ser incluída no serviço de proteção à testemunha, mas eles nunca se sentiram seguros e abandonaram o programa. “A gente não tem vida. A gente tá sobrevivendo dia após dia, porque nesse um ano e três meses o que a gente fez foi só rodar o Brasil inteiro, fugindo de polícia, de milícia. A gente se esconde aqui, se esconde ali e eles sempre localizando a gente”, admitiu.

4 mil quilômetros

Eles já percorreram 4 mil quilômetros Brasil afora e se abrigaram em mais de 20 lugares diferentes. “Nossas crianças não podem ir ao médico, não pode ir à escola. A minha filha está fora da escola. Se eu matricular ela nessa escolinha aqui na frente, depois de amanhã a milícia tá aí. Eu não durmo, já faz um ano que eu não durmo. Eu passo a noite inteira acordado olhando no basculante”. A família viveu nas ruas, se abrigou em hospitais e chegou a ficar dois meses numa sala da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, com medo de pôr os pés na rua. Há um mês, o padre de uma paróquia, na periferia de uma pequena cidade, abriu as portas para eles. “Já levamos carta para o Papa. Nós queremos denunciar isso. Para que não somente este caso seja conhecido aqui no Brasil, mas mundialmente. Isto é descaso do poder público”, afirmou o padre, sem se identificar. Enquanto as autoridades não encontram meios de dar proteção a essa família, a eles só resta a esperança de sobreviver.

A Caixa Econômica Federal disse que encaminha todas as denúncias para as autoridades de segurança, mas não respondeu, até a última atualização desta reportagem, se as famílias expulsas podem ser reinseridas no "Minha Casa, Minha Vida".

A Secretaria de Assistência Social, que gere o programa de proteção à testemunha no estado, disse que há regras de segurança a serem seguidas pelas pessoas que ingressam no programa. Mas não respondeu às críticas feitas na reportagem. O Ministério da Justiça não se pronunciou.

Obs.: Com autorização do personagem da história divulgo o nome do Padre que ajuda essa família e outras que, inclusive se encontram debaixo de viadutos. O Padre Pedro é um Polonês, ferrenho defensor dos Direitos Humanos, da vida e contrário ao aborto.

O trabalho que deveria ser feito pelo Estado Brasileiro vem sendo feito por esse Padre, que nem Brasileiro é, todavia o faz sem condições, em nome do amor ao próximo. É um exemplo que muitos deveriam seguir!

Milcias Crime organizado alas muito bem organizado por sinal

Leia também: http://lanyy.jusbrasil.com.br/artigos/179478089/operacao-tentaculos-programa-de-protecaoatestemunhas-ineficaz-transforma-família-em-fugitivos-da-milicia-carioca

http://lanyy.jusbrasil.com.br/artigos/185401985/um-pedido-de-socorro-que-deveriamos-ouvir#

Fonte desse artigo (na íntegra): http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/04/expulsos-do-minha-casa-minha-vida-fogem-ha-mais-de-1-ano-de-milicia.html (07/04/2015 19h51 - Atualizado em 07/04/2015 20h04)

Comentários: Elane F. Souza OAB-CE 27.340-B

Fotos: movimentocontraasmiliciasnobrasil. Blogspot e alagoas24horas. Com. Br

23 Comentários

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Resumo do Brasil: Crime organizado e Estado sem rumo.
:( continuar lendo

A situação no país para melhorar ainda vai piorar um pouco. Enquanto não tivermos o discernimento que o crime organizado ocupa os espaços deixados pelas pessoas ditas "do bem", as coisas vão piorar. A criança que cresce precisa ter limites para que obedeça os pais, professores e a lei. O povo brasileiro se acostumou ao jeitinho para tudo, por isso não há punição para nada. No Brasil uma pessoa que pratica um homicídio qualificado, passa no máximo 06 anos preso (este é o preço de uma vida). Isto se ele não tiver posses, mas se tiver condições financeiras nem a julgamento vai. continuar lendo

Boa tarde Sr. Carlosalberto
Pior é que talvez o Sr. tenha razão..., a coisa já está feia, espero que não piore tanto...., obrigada por ler e comentar o artigo.
Abraço
Elane continuar lendo

O chefe da família entregou a milicia para o chefe (delegado de policia).
neste país, você é testemunha de crimes tipo o da milicia e tem que ficar quieto, calar a boca, pois os chefes da milicia, normalmente são os delegados e coronéis da policia. Portanto jamais confie na policia ou no governo, eles são os capo do crime organizado.
A família fez besteira ao dedurar a milicia, jamais vai ter sossego. continuar lendo

Outra besteira foi confiar no Programa de Proteção as Testemunhas, que no Brasil é uma piada. Eles deveriam invadir uma embaixada estrangeira e pedir asilo político, pois se o governo não dá conta de protegê-los outro país tem que assumir isso. continuar lendo

Triste a história, mas devemos tirar lições dela, ou tentar.
As milicias surgiram exatamente do medo que a população tinha de criminosos, nessa situação, qual o caminho? Policiais, bombeiros e guardas civis começaram a "proteger", tais comunidades, expulsando bandidos. E ai cabe a nós perguntarmos se a ânsia que algumas pessoas tem de justiça com as próprias mãos não acaba levando a isto.
Ora, o policial mata um bandido, é considerado herói, e começa a receber para eliminar outros criminosos, o que impede que ele se organize com outros policiais e domine aquela comunidade extorquindo os moradores? continuar lendo