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16 de Outubro de 2018

Colega Advogado, você sabe o que é um “Laçador”?

Na "desesperada" busca por clientes, Advogados agem de forma contraria ao que preceitua o Estatuto da Advocacia: na ilegalidade!

Colega Advogado voc sabe o que um Laador

Que no Brasil não está fácil Advogar todo mundo já sabe, no entanto, há profissionais que no afã de captar mais e mais clientes exageram! Para quem ainda não conhece irei apresentá-los a uma figura bastante conhecida no Ceará, pelo menos na região metropolitana que é onde atuei por um curto período.

Em meados de 2013 associei-me ao escritório de um colega cearense, na região metropolitana de Fortaleza, especificamente na cidade de Caucaia. Tratava se de um edifício bem centralizado, todavia nada esplendoroso, apenas um edifício qualquer, que se dedicava, em sua forma quase exclusiva, alugar salas para Advogados. Haviam ali muitas, em cada uma delas 2 ou 3 Advogados na espectativa por clientes.

Ocorre que, com uma concorrência tão acirrada, só nunca chegaram às vias de fato porque, cada um ali, lutava com as armas que tinha. Infelizmente as armas nem era o “conhecimento” adquirido, muito menos a experiência de cada um. Descobriram algo novo! O cearence é um povo, além de simpático e engraçado, é também muito criativo. Acredito que foram eles os criadores dessa “figurinha” que agora circula pelos Fóruns, Tribunais, Varas do Trabalho e até Delegacias – o bom nisso tudo é que deixamos de lado o Profissional “Advogado porta de Cadeia”, para darmos lugar ao “Laçador” (em outras palavras, atravessadores).

Quem são os “Laçadores” e como agem?

São pessoas, na maioria quase absoluta das vezes, homens, que procuram os escritórios e se oferecem para ficar na porta dos órgãos judiciários e nas Delegacias de Polícia com o intuito de “captar” clientes em troca de uma porcentagem do serviço que será prestado ao “captado”. Assim procediam os que agiam em Caucaia! (Digo agiam porque não trabalho mais no Ceará – logo, não sei se a prática segue existindo).

Esses atravessadores ganham comissão pelo agenciamento de causas e ‘recrutam’ clientes em torno dos Fóruns trabalhistas para que os mesmos entrem com ações contra empresas e patrões. Tais problemas trabalhistas muitas vezes, nem existem, mas os “laçadores” acabam por convencer a pessoa abordada a abrir um processo, pois os escritórios cobram dos clientes para abrir tais ações.

A OAB/CE fez uma ferrenha campanha contra esse tipo ilegal de “captação de clientela” no início de outubro de 2014 que ficou conhecida como: “Diga não ao laçador”!

De acordo com o vice-presidente em exercício na época, Jardson Cruz, A OAB-CE vai realizar essa campanha para os advogados que militam na área trabalhista e previdenciária e visa punir essas pessoas que fazem esse trabalho de intermediação. “Vamos alastrar essa campanha por todo o Estado do Ceará. Nas agências do INSS, no Interior e na Capital. É uma campanha que necessita da compreensão em conjunto de todos os colegas que militam nessa área” ressalta.

Na época, foi também ouvido o superintendente substituto da SRTE, Wellington Silva, “a campanha é fundamental para proteger o trabalhador, pois são abordados no meio da rua, são cobrados valores acima do permitido e muitas vezes acabam perdendo suas causas por conta das fraudes”. É uma concorrência desleal” disse.

Apesar do vice-presidente da OAB/CE falar apenas nas áreas previdenciária e trabalhista, os “laçadores” de Caucaia-CE agiam em todos os ramos do direito que possa levá-los ao lucro – inclusive “nas portas de cadeia” – digo, delegacias. Nesse edifício onde trabalhei por algum tempo existiam pessoas de “plantão” na porta esperando que alguém chegasse para abordá-los e convencê-los a dirigir-se ao escritório onde lhes pagavam comissão. Quem não tinha um “laçador” como “funcionário” acabava por perder muitos clientes. O meu caso!

A OAB-CE disponibilizou, na época, um serviço de denúncias por meio do 0800 724 2116. e solicitou ajuda da Polícia Federal para investigar e combater essa prática ilegal!

A crise da Advocacia Brasileira

A advocacia sempre fora uma profissão muito valorizada, desde os tempos de Grécia e Roma. O advogado, outrora, na sociedade, era considerado um profissional que emprestava os seus conhecimentos na busca da justiça, em oposição à tirania e opressão. Era leal, honrado e digno. Aquele que optava por tal atividade não o fazia por dinheiro, mas na ânsia de realizar a justiça.

Pondera Clito Fornaciari Júnior (2008, p. 37):

A advocacia nasceu da necessidade moral de defender os fracos e os justos. Era exercida por homens livres e bons, que não se preocupavam com a remuneração, mas emprestavam seu trabalho e sua inteligência para servir à verdade, ao Direito e à Justiça. (...) Esse alicerce, que é de muitos séculos, marcou a profissão, associando-a à nobreza de caráter. (...) Implicou, outrossim, a criação de sólidas regras éticas, que se fundaram sempre na moral e na lei, mas também na tradição, que se arraigou definitivamente no Advogado.

O advogado, de maneira ética e proba, prevenia e buscava a solução de conflitos de interesses mediante a aplicação da lei.

Todavia, a profissão hoje se encontra assolada por uma crise sem precedentes e, conforme mencionado na edição comemorativa da AASP (Associação dos Advogados de São Paulo), embora o passado seja de glórias, o presente é dramático e o futuro é incerto.

Se antes o advogado pertencia a uma elite profissional altamente qualificada, nos dias atuais, grande parte sobrevive como advogado empregado ou proletariado, auferindo salários baixíssimos (em média, de 02 a 03 salários mínimos mensais) e abrindo mão de grande parte de sua liberdade. Os jovens bacharéis (em sua maioria influenciada pelos próprios educadores) pensam apenas em concurso e já possuem um ideal de que a carreira pública, no Ministério Público ou Magistratura, é muito mais promissora.

E várias são as razões que poderão ser destacadas para tal declínio de prestígio: a proliferação desordenada das faculdades de direito em nosso país, a formação de profissionais desqualificados diante da má qualidade do ensino jurídico, a saturação do mercado de trabalho, a perda da ética e dos valores morais por parte dos profissionais, a diminuição do amor à profissão na busca pelo status econômico, entre outros.

Segundo o Portal Exame da Ordem, em 2018 teremos, no Brasil, 1 milhão de Advogados! Ou vencemos agora, nessa admirável e nobre Profissão, ou seremos – literalmente – engolidos nesse futuro que já bate à porta!


Fontes: http://oabce.org.br/2014/10/diga-nao-ao-lacador-campanha-combate-pratica-ilegal-da-advocacia/

http://www.oabsp.org.br/subs/santoanastacio/institucional/artigos/a-desvalorizacao-da-advocaciaxa-1

Foto crédito: OABCE. ORG

Comentários: Elane F. De Souza OAB-CE 27.340-B

7 Comentários

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Artigo muito importante, isso acontece aqui no Rio de Janeiro também. continuar lendo

Bom dia Claumir, tudo bem?
E eu que pensava que só existia no Ceará! rsrsrsr, a coisa realmente não está fácil..
Abraço e obrigada por comentar continuar lendo

Olá Elane... meus cumprimentos e minhas homenagens de estilo...
Com inteira razão em todos os seus lineamentos.
A questão da competitividade não está relacionada apenas às oportunidades de mercado... tem a ver também, com a desunião da categoria... desde que me conheço como advogado e após trinta e três anos como advogado público e privado cheguei a três lamentáveis constatações:
a primeira - a classe dos advogados, comparativamente às demais, é de longe a mais desunida, a ponto de muitos colegas se oferecerem para intentar algum procedimento contra o outro colega (por vezes, sem justa causa);
a segunda - a distância que separa os advogados dos juízes jamais deixará de existir além dos cancelos e do pedestal, levando em conta que a maioria dos magistrados, não apenas julgam os casos que lhes são submetidos, mas também se julgam Deuses ou semi-Deuses... à exceção dos advogados integrantes das bancas milionárias... e os chamados amigos do dos juízes e ministros... ou os amigos dos amigos destas autoridades...e
terceira - as decisões dos nossos tribunais, em sua grande maioria, só favorecem os ricos, os apadrinhados e os poderosos... sempre foi assim e assim se perpetuará...
tenho dito... com este edito... e sobredito.... continuar lendo

Boa tarde colega R. Edson, tudo bem?
Obrigada pela leitura do artigo e pelo sábio comentário e plenamente de acordo com o que dizes.
Abraço e bom final de semana
Elane continuar lendo

Aqui em Ctba Pr, também existe uma filial dos laçadores & Cia.... continuar lendo

Em Ctba Pr. também existe uma filial dos laçadores & Cia. e, pelo jeito proveniente do CE. continuar lendo