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1 de Abril de 2020

Advogado Audiencista, Advogado Correspondente: “o fundo do poço”! Vale a pena seguir?

Advogado Audiencista Advogado Correspondente o fundo do poo Vale a pena seguir

Lembro-me como hoje do dia em que fui receber minha primeira carteira da OAB lá em Cuiabá, Mato Grosso. Apesar de ter colado grau em 2003, foi somente em 2004 que resolvi fazer a prova da Ordem. Naquela época a Advocacia não me atraia muito, apesar de ter sido uma excelente aluna no Estágio Obrigatório, de 2 anos, que a minha Faculdade oferecia (excelente “laboratório” para se aprender a Advogar de verdade), sempre tive ”na cabeça” que o meu mesmo era concurso público – já tinha até uma área definida – queria ser Delegada de Polícia, de preferência, Federal.

Na época trabalhava no Departamento de Polícia Federal (DPF Cuiabá) como administrativo contratada, foi aí que a profissão de Delegado me encantou ainda mais. No entanto, não tive muito sucesso nos concursos. Como disse antes, apesar de ter sido uma excelente aluna de estágio, na Faculdade, durante 5 anos, sempre estive entre as piores da turma – hoje sinto vergonha em admitir.

De lá para ca muitas “águas rolaram”! Foi estudando para prestar o exame da OAB que percebi não saber nada – muito menos de Direito! Todavia, ao notar que os alunos que estavam lá no cursinho não brincavam, só pensavam em estudar para passar no exame ou em um concurso qualquer, que resolvi dar tudo de mim, parecia estar numa competição e eu gostava de sentir-me assim pela primeira vez; motivada, entusiasmada com os estudos.

Acredito que me transformei na melhor aluna que podia. Só não era a melhor das melhores porque era como se estivesse vendo o Direito pela primeira vez, já que parecia não saber nada. Em seis meses de curso aprendi mais que em cinco de faculdade.

Após esses seis meses de estudo fiz exame e me veio o prêmio – aprovação na primeira fase. “Infelizmente” estava inscrita num concurso da Polícia Civil de Brasília, que era minha preferência diante do exame; acreditei estar preparada para ele e quando a OAB marcou a data para a segunda fase veio a triste notícia – era a mesma da prova de Brasília. O que fazer? A prova de Brasília que era meu sonho antigo ou a segunda fase da Ordem?

Acredito que já sabem a resposta. Optei pelo sonho número um – PC-DF. Naquela época, aliás, não sei como é hoje, mas sei que tive que pagar outra vez e fazer todas as fazes novamente, além do mais não consegui aprovação em Brasília. Doeu? Doeu sim, mas foi uma experiência e uma tentativa – como poderia saber se ia obter êxito na Policia de Brasília se não tentasse?

Por fim, seis meses depois, em outro exame, consegui a aprovação em todas as fases sem ter que “jogar cara ou coroa” para decidir entre uma coisa e outra, como antes.

“Vermelhina” nas mãos, um largo sorriso no rosto e os aplausos de minha mãe! A felicidade era grande, muito mais na hora do juramento diante de muitos colegas e do então Presidente da Seccional MT.

O que mudou em minha vida após OAB

Uma habilitação assim muda a vida de muita gente; rendo minhas homenagens e aplausos para àqueles que conseguiram transformá-la em algo melhor e ter sucesso na profissão.

No meu caso nada mudou. Minto! Mudou muito, mas não teve nada a ver com a aprovação no bendito exame da ordem. Trabalhei poucas vezes como Advogada durante esses anos todos, de onze, talvez cinco tenham sido investidos, esporadicamente, na Advocacia. E não é por detestar a profissão e me considerar uma péssima profissional. Como já disse, sempre fui uma excelente Advogada, desde a época do estágio meus clientes me adoravam e sentiam muito quando tinham que me deixar (no estágio – substabelecer para outro aluno), o mesmo se passou durante os poucos anos que exerci a profissão de verdade.

Ocorre que, com algumas reprovações nos concursos para Delegado, resolvi “replanejar” a vida. Errei muito, mas foi o que fiz. Devia ter seguido tentando esse meu sonho enquanto Advogava, talvez hoje seria uma profissional destacada na área policial, quando menos, se optasse pelo segundo sonho, advogar, hoje também teria muito sucesso! Mas nem sempre trilhamos o caminho que nos levará ao exito. Talvez por ignorância, talvez por comodismo! Já não sei qual foi o meu caso!

Fui morar fora do país por ter fracassado nos concursos e no amor! Estive fora quase cinco anos, retornei em meados de 2011; como não tinha “aberto um livro”, a não ser no último ano quando resolvi fazer um mestrado em Direito Empresarial na Lusófona de Lisboa, o qual também ficou pela metade, faltado a entrega do TCC e mais 4 meses de aulas, já que o dinheiro acabou e tive mesmo que retornar.

Desde 2011 que venho me “reciclando” na área jurídica. Muitas coisas mudaram de 2007 até o meu retorno ao Brasil; teria mesmo que estudar, leis novas surgiram, além disso, revisar o que tinha aprendido algum dia, ou nem sequer poderia ser chamada “Advogada”, apesar de portar a carteira profissional há muito tempo.

Hoje, 2015, já me sinto bastante preparada para a Advocacia, já venho exercendo a profissão desde final de 2012, depois de oito meses de estudo, agora já são quase quatro anos estudando para realizar algum trabalho e também para, novamente, investir nos concursos públicos. Desde então já fiz alguns, não obtive aprovação no número de vagas, entretanto dessa vez não pretendo desistir, é uma questão de honra seguir tentando até conseguir êxito em algum que, realmente, valha a pena.

Contar um pouco de minha história teve a finalidade de mostrar aos colegas um exemplo do que não devem fazer. Não desistam de seus sonhos! Hoje, entendo que, por mais distante que você esteja de alcançar o sucesso, se você desiste de tentar é aí que se acabou! Não saia dessa “fila virtual” em que você se encontra, ao sair dará lugar ao que estava em pior posição que a sua; se um dia retornar, estará como estou, no final da fila – recomeçando!

Mas, e a Advocacia, como se encontra hoje? A situação é melhor do que há 10 anos?

Incrível, mas já naquela época tinha um professor do curso para OAB que dizia: “aqui nessa cidade tem mais Advogado do que gente”! Pior que sua frase, não era de todo, uma mentira “. Acredito que hoje Cuiabá tenha, no máximo, 650 mil habitantes e uma “faculdade” de Direito em cada esquina, pois já era assim naquela época.

Como se pode notar, a vida de Advogado, há muito que não tem àquele glamour do passado. Quando digo passado entenda-o como, no mínimo, umas cinco décadas.

Advogado Audiencista Advogado Correspondente o fundo do poo Vale a pena seguir

Hoje a profissão está muito desvalorizada, apesar de ainda ser muito criticada e motivo de piada, como sendo profissão de oportunistas e sinônimo de aproveitadores; mas não, somos apenas profissionais como qualquer outro que busca, em muitos casos, não muito mais que a própria sobrevivência, prova disso é o que citarei agora, acreditem ou não:

Como retornei a Advocacia há pouco tempo e nem sequer estou vivendo em minha cidade natal, nem ao menos na que tenho meu pequeno patrimônio (ou seja, minha casa), tive que me cadastrar em alguns sites (incluso este) para promover-me como Advogada e conseguir algum trabalho enquanto estudo para ser funcionária pública. Todavia assustei-me, e muito, com os preços do mercado em se tratando de Advogado Correspondente ou Audiencista. É um absurdo que alguém lhe ofereça 70, ou 80 reais para realização de uma audiência! De verdade, estou, até agora, em choque, tentando enteder como as coisas puderam chegar a esse ponto! E o pior que esse tipo de oferta vem de outro colega, que em melhor situação que a sua lhe oferece “trabalhar de graça” para ele em outro Estado.

E os absurdos não param por aí: ser preposto 50 reais, Advogado e preposto 105 reais, diligência no judiciário 25 reais, protocolo e/ou distribuição 15 reais, etc…, acaso eles acreditam que em uma metrópole os colegas irão gastar quanto para se locomover até esses locais? É de rir para não chorar! A gasolina, a maquiagem e o perfume ficam muito mais caros que isso!

Podem estar achando que sou rica ou algo assim, mas não, tenho pouco, apenas o suficiente para sobreviver razoavelmente; mas desculpe dizer, trabalhar por esses valores é desprezível, tendo em conta que, como disse minha mãe ao relatar o caso a ela: “em uma lavagem de roupa se ganha mais do que isso”! Como sou Advogada e não lavadeira fico por aqui, continuo com os estudos, quiçá, em breve, consigo mais que apenas míseros 50 reais oferecidos para ser preposto. Enfim…..

É mesmo o “fundo do poço” pois a luz que consigo ver vem lá de cima e já é fraca devido à distância, entretanto sei que posso seguir lutando para melhorar essa situação vexatória porque passamos, pois, o fundo do poço não está cerrado, ainda não há “terra por cima” – o que nos leva a crer que há esperanças!

Autora: Elane F. De Souza OAB-CE 27.340-B (proibida a reprodução sem citar a fonte)

63 Comentários

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Nobre colega de profissão,

Compartilho com seu desabafo e ponderada reflexão, tanto que também escrevi aqui mesmo JusBrasil o seguinte texto sobre o tema:

http://advwendell.jusbrasil.com.br/artigos/176848793/quero-que-meu-filho-seja-advogado-ou-professor

"Quero que meu filho seja advogado ou professor"

O artigo 133 da Constituição Federal de 1988, estabelece que: “O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

E também nas faculdades é ensinado com muita propriedade que o advogado é o primeiro juiz da causa, ainda que seja uma visão romântica, devo concordar com a expressão do ilustre ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, que disse em audiência com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que, “do ponto de vista do juiz, não existe auxiliar melhor da sentença que um bom advogado”.

Tudo isso é verdade, porém o que falta à boa parte dos advogados é o reconhecimento (financeiro) da profissão. Tendo em vista que, fora do “glamour” dos Tribunais, onde somos chamados de “doutores”, a realidade é bem diferente.

Sou advogado há quase três anos, e mesmo com toda dedicação e esforço, tem sido difícil me manter na profissão, observando que apesar de obter algumas conquistas, que refletem esse trabalho, os rendimentos são poucos, e ainda bem menores da época em que eu era professor de ensino médio e fundamental (profissão muito honrada e que também carece de reconhecimento de toda a sociedade).

Certa vez o nobre Senador Cristovam Buarque disse algo semelhante a isto: “no dia em os pais tomarem um filho recém-nascido nos braços e dizer a ele você será professor, teremos um país melhor e mais justo para viver” (perdoe-me vossa excelência se não foram exatamente essas palavras, mas a ideia, sabiamente transmitida, certamente fora essa).

Pois bem, ainda hoje, a maioria das pessoas, expressam o desejo que seus filhos sejam médicos, engenheiros, e advogados (talvez por desconhecimento da dificuldade de exercer a advocacia atualmente). Provavelmente, alguns advogados bem sucedidos (e sem demagogia, fico feliz por aqueles que obtiveram sucesso na advocacia), teceriam uma crítica veemente ao meu discurso de reflexão e desabafo, mas não ficarei intimidado em apresentar meu pensamento aos meus caros colegas.

Antes de ser advogado fui técnico eletrotécnico (técnico de manutenção elétrica), e como disse, também professor, e fiquei extremamente envergonhado quando participei de uma entrevista em um escritório de médio porte, e para minha surpresa fora oferecido a mim um salário vergonhoso, com a seguinte "vantagem": ganhos de 10% nas causas que eu captasse para o escritório.

Com todo respeito aos meus colegas proprietários de escritórios, entendo que arcam com os custos de manutenção e naturalmente almejam o lucro, mas "somos" os primeiros a desvalorizar nossa classe, para ter ideia do desrespeito, o salário que me foi oferecido era bem menor do que recebia quando era ainda um técnico de nível médio.

Em uma outra ocasião, quando cobrei o valor de R$ 500,00 para ir a uma diligência com cliente a uma delegacia, foi-me ofertado para o serviço o valor de R$ 100,00, e que se tivesse aceitado tal insulto, estaria corroborando com o desrespeito à nossa profissão.

Outro dia Li aqui mesmo neste espaço que havia advogados que aceitavam realizar audiências por R$ 20,00. Queridos e amados amigos colegas, não teremos a valorização da sociedade, enquanto nós mesmos não nos valorizarmos.

Também li um brilhante artigo que dizia entre outras coisas a frase: “advogar não é para qualquer um”, e realmente concordo com essa ideia, mas entendo que possa ser completada das seguintes maneiras:

1. “Advogar não é para qualquer um”, mas para quem possui tradição familiar nesta profissão, os que possuem "berço" (ou seja, que herdaram um escritório de família e um nome consolidado no mercado);

2. “Advogar não é para qualquer um”, mas para quem tem paciência (e estômago forte) para esperar pela lentidão dos tramites processuais (a tradução fica a critério de cada um);

3. “Advogar não é para qualquer um”, mas para quem não necessita de retorno financeiro imediato (fundamento essa expressão na minha experiência e de inúmeros relatos de amigos).

De toda forma, desejo aos meus caros parceiros de profissão toda sorte bênçãos, muito sucesso, e que esse texto seja um alento, uma esperança, para que um dia a advocacia, assim como o magistério, possa receber o reconhecimento merecido, que o concurso não seja nosso único refúgio de dignidade, mas uma opção na carreira jurídica.

E que possamos dizer: “quero que meu filho seja advogado ou professor”. continuar lendo

Olá, boa tarde colega Wendell Menezes
Gostei muito do comentário obrigada por perder um pouco do teu tempo com a leitura do artigo e ainda dar tua opinião.
Opiniões inteligentes assim e com exemplos do que se passa aí fora são muito bem vindos. É inacreditável que colegas cheguem ao ponto de nos oferecer 100 reais por uma audiência, e por algum outro trabalho até 20 reais...., é lamentável, pois com esse dinheiro não dá nem para sair de casa..., eu por exemplo, perderia mais em gasolina, maquiagem e perfume - como já disse no texto.
Valeu abraço e sucesso! continuar lendo

Prostituição!
É somente esse o nome de correspondentes com CARTEIRA DA OAB que se submetem a essa situação vexatória.
Quando era estagiário me inscrevi como Correspondente, na época 20, 30 reais para ver como era um processo foi bacana.
Estava ganhando para aprender.
Outro dia me ligaram: "Dá pro Dr. fazer uma diligencia, tirar cópia integral de um processo?"
Claro, eu disse.
"Nos pagamos R$ 25,00, tudo bem?"
Então expliquei: "A minha hora fora do escritório é R$ 200,00, se o processo tiver mais de 50 paginas cobro mais R$ 0,20 centavos por página."
Ao que me foi colocado: "O Dr. tem um contrato com a gente aceitando esses valores."
Então tive que explicar: Na época era estudante, hoje sou advogado, o meu custo sou eu quem define, por consequencia o meu preço tambem, para fazer serviço de office boy, que dependendo do processo não vai poder sequer olhar, eu cobro o meu tempo, aquilo que eu disponibilizo para resolver o problema de meu cliente, e agora vcs sãomeus clientes.
Não fiz o serviço, porém outro colega deve te-lo feito.

Valorizar a advocacia passa por recusar esses serviços e colocar preço justo para executa-los.

Passem adiante. continuar lendo

Boa noite colega Carlos Eduardo
Adorei a tua resposta ao "antigo cliente"...., esse pessoal pensa que nós somos "office boy"...rsrsr...queria ter visto a "cara" deles com a tua firmeza e postura! Realmente "prostituição" da parte de quem faz.
Abraço e obrigada pelo comentário e leitura.
Elane continuar lendo

Ótimo Artigo Colega!
O problema que a advocacia vem enfrentando é crescente e infelizmente a tendência é piorar. Isso porque o número de acadêmicos de direito aumentou surpreendentemente. Existem faculdades de direito em tudo que é lugar.
A lógica é simples: somente o que é escasso é mais valorizado.
Em virtude da grande quantidade de advogados, a advocacia se tornou uma guerra diária para se conseguir clientes (e vale tudo: se você cobra por determinada causa R$ X, o outro colega de profissão cobra R$ - X), ou seja, ninguém importa com a profissão, mas somente com si mesmo.
Obviamente que a facilitação do acesso ao ensino superior é louvável. Mas, acredito que no Brasil supervalorizam determinadas profissões e desvalorizam em desmasia outras, e isso faz com que a procura por determinados cursos superiores sejam maiores (Direito, p.e.).
Na minha opinião simplista, o problema da advocacia é o números de advogados existentes, e acreditem, a coisa tende a piorar ainda mais. continuar lendo

Boa noite Colega Luciano Santos
Obrigada pelo elogio e pela leitura do artigo.
Você tem toda razão, está cada dia pior, se temos "um em cada esquina" a lógica é que quem está "por cima", tem grandes escritórios e nome estabelecido na praça, aproveite para arrancar "o coro" dos colegas que "matam um leão" por dia para sobreviver. Lamentável, mas é assim!
Abraço e boa sorte para vc
Elane continuar lendo

Nobre colega, Dra. Elane,

Eu compartilho sua indignação sobre a desvalorização dos serviços de "advocacia correspondente" e entendo também que isso é um problema para nossa profissão.

Eu também atuo como Advogado correspondente em Tocantins por isso opino com propriedade sobre o assunto e discorro abaixo como vejo o problema.

Ressalto inicialmente que a OAB, pelo menos aqui no Estado do Tocantins, não está omissa quanto ao problema porque promulgou uma resolução com a "Tabela Honorários Mínimos", inclusive fixando o valor mínimo para serviços correspondentes. Exemplo, audiência R$ 240,00 e outros serviços não elencados na Tabela (R$ 150,00) que vale para caso de preposto pois não consta na Tabela.

Primeiro, destaco o fator "lei de mercado", ou seja, onde há mais oferta que procura o preço tende a cair, infelizmente nos grandes centros há mais oferta de advogados correspondentes do que clientes (escritórios) que compram esses serviços, assim é natural que esses escritórios é quem ditam o preço.

Mas isso pode mudar se houver uma mudança de comportamento, uma nova postura profissional dos Advogados correspondentes, que inclui ética, espírito de coleguismo e visão empreendedora. Ou seja, enquanto nos comportarmos como dez cães famintos brigando por um pedaço de carne isso não mudará.

Segundo, punição, pois, como sabemos, numa sociedade que alguns de seus membros não respeitam as normas é preciso que sejam corrigidos e isso se faz por meio do "castigo".

A OAB é a entidade autorizada por lei para regulamentar a profissão, então, a regional deve fixar o preço mínimo, se não existe essa regulamentação devemos exigir da entidade, sob pena de infração legal.

Existindo a norma regional é o caso de denunciarmos os colegas infratores e isso não é errado, errado é entrarmos na onda da hipocrisia e continuarmos a fazer igual a maioria dos colegas fazem, cobrar um valor irrisório pela sobrevivência e não pela dignidade.

Denunciar os colegas infratores é nosso dever perante a sociedade e perante a justiça que tanto buscamos para nossos clientes mas não conseguimos buscar para nós. Que ironia!

Vejam, a OAB gastou muito dinheiro das nossas anuidades na campanha "Honorários Dignos. Advogado valorizado, cidadão respeitado!", então, se na base não fizermos o dever de casa, isso não mudará, vamos continuar desvalorizados porque o problema não está nos outros, está em nós.

Mudança de atitude já! continuar lendo

Bom dia Dr. João Lopes, tudo bem?
Olha, fico feliz que aí na tua terra já tenham definido oficialmente os valores para Correspondentes, pelo que eu saiba, aqui em Recife e em Fortaleza, esta última tenho mais certeza, não definiram não. Apesar de que no Ceará temos um Presidente super atuante, lutando sempre por tudo e por nossos honorários, mas nesse caso de correspondentes e audiencistas ainda não se deram conta ou ninguém denunciou - infelizmente, de momento estou vivendo em Recife, mas minha seccional é Fortaleza, não posso denunciar nada por lá porque estou aqui e não sei como está isso lá, já aqui também não posso denunciar porque ainda não tenho minha suplementar de Pernambuco, por enquanto fico só na indignação, quando pegar a suplementar no Recife é a primeira coisa que farei já que terei legitimidade (rsrs)
Abraço, obrigada por ler e comentar o artigo.
Elane continuar lendo

Caro colega, concordo plenamente. A OAB tem o poder dever de tomar providencias, e temos que cobrar de nossa instituição.
Já trabalhei como correspondente, em meados de 2009/2010 e naquela época cobrava R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais) para realizar uma audiência, e os escritórios que me contratavam pagavam e agradeciam pelo serviço prestado.
Hoje, já não faço mais tal serviço,pois me recuso a receber o que estão dispostos a pagar. Não tenho coragem de explorar outro ser humano, assim não admito ser explorada por meu semelhante.
Mas como já dito pelos colegas, isso só persiste porque há quem se submeta a ser explorado e não parou para pensar na responsabilidade que assume ao aceitar um substabelecimento, ainda que seja só para participar de uma audiência.
Se parar para pensar que um cliente insatisfeito com este ou aquele desfecho do processo, pode mover uma ação de indenização e uma representação na OAB, contra todos os Advogados que tiverem seu nome no processo como seus defensores, chegarão a conclusão que a responsabilidade é imensa, e portanto devem ser remunerados de forma digna.
Apoio a campanha para MUDANÇA DE ATITUDE JÁ.
Abraços a todos. continuar lendo